segunda-feira, maio 16, 2011

25

Não era mais nada. Era ser o que não se via. Era ser o que não se sabia; e retornávamos ao quadro de dormência. Mas parece que a proximidade do um quarto de um centenário trazia mais acidez, mais expressões desequilibradas, mais desânimo e mais consciência da falta de. 

pra ter certeza que as dores se repetem

'Sentei me. Sentei me como quem sutilmente carrega o próprio corpo. Havia algo diferente no café. Quando dei conta da observância anterior, vi que tudo indicava uma leve tristeza no meu paladar. Não cruzei as pernas como o de costume. Debrucei sobre meus pensamentos. Eram nuvens carregadas. Eu precisava de água corrente, na cabeça, certamente. Mas entrei no café, além do café de sempre, pedi uma água. Com gás e limão por favor. A temperatura quase que ambiente incorpada as rodelas de limão, me agradavam. Senti meu âmago ou o meu coração desacelerar. Quem saberia? Relutei por alguns instantes. Mas assumi o cenário desenhado, perfeitamente,para a minha atmosfera. Centro, paralelepípedos, pessoas vagando atordoadas, muitas vozes, sinais que se confudiam com fumaça, o céu já não tinha tanta forma. Eu e meus devaneios, sutis e sentados, dentro da cafeteria. De repente se apagaram as minhas luzes, já que comecei a indagar sobre os nomes das ânsias que se comprimem por meio de palavras repetidas no meu peito. Por mais que eu re-olhasse o cardápio, meu paladar se mantivera intacto e rendido a tristeza. Então mais água. Sem cachoeira. Sem chuveiro gelado. Somente água e as borbulhas de desamor. Quando ascenderam minhas luzes, olhei para os lados e me senti como quem acha que não tem nada, como quem somatiza faltas: de esperança, amor e fé.'

domingo, maio 15, 2011

era hora de se ausentar, sem essas entrelinhas bobas, da mudança que sucede, que aceito, independente do bom grado, da falta de coragem para dizer o que somos, desse silêncio pobre que me converge a mera expectora e a uma fala besta de quem não quer convencer. Olhor pesado, muita maquiagem, muita anestesia e quem não quer?

dos olhos díspares

cor de rosa, um sonho.

domingo, abril 10, 2011

não queria dar asas para as frases que envolvem os domingos. Porque a  vida muitas vezes ultrapassa as nossas conclusões. Que são filtros únicos e as vezes imovéis.
E é tanta calmaria que eu me assusto,
é tanta felicidade que não aceitamos, que arrebatamos nosso mundo de tanta inquietação. Não tenho acreditado nas minhas escolhas e nem mais fígado para desviar os meus olhos de você.
Há tanta dor que eu não compreendo. Tantas vidas que eu amaria salvar. E insistentemente não ajustos os meus defeitos e me sufoco por sofrer.
Você sempre foi a melhor parte de mim, nos perdemos, e depois, eu, cheia de consciência, decidir ir embora. Decidi não mais conter a tua fúria e fazer felizes teus dias ou te ajudar na mudança. E me transborda o remorso de não evitar o que sinto, porque queria dar corda sempre, mesmo com essa dança, papeis inversos, sempre inversos e eu contive o nosso amor.

domingo, abril 03, 2011

a tanto espaço para falta de coisas, há tanto vazio para pouco espaço e já não sabemos para onde vamos. Uma sobrinha entre estas minhas frestas amedrontadas para que eu lembre que essas dores não se vão com o tempo. Quem assim cobrava em algum momento fatidico saberá da angústia explosiva dentro do peito. Que sempre seremos, em parte, ausência, que as vezes será uma sede,sonhos, noutros pura insatisfação do ser. Pu-ra/in-satisfa-ção, do meu ser.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Nicest Thing

parece que é fantasia, minha vitrolinha cerebral nao pára de cantarolar, ora pois, é felicidade, coisa que sempre me persegue, que Alah me conserve assim, mas sei de uma leve diferença no meu olhar, há sim uma nuvem que me impulsiona. Ela só pode ser a velha frase batida: uma nuvem com nome, cheiro,cor e endereço. Meu rosto tem uma forma mais viva e eu não quero passar como quem não quer nada.Meu corpo tem vontade de sonhos.Já tive vários deja vus, eram nossos,éramos nós, felizes e nos olhando.
 
 
"All I know is that you're so nice
You're the nicest thing I've seen
I wish that we could give it a go
See if we could be something

I wish you'd hold my hand when I was upset
I wish you'd never forget the look on my face when we first met
I wish you had a favorite beauty spot that you loved secretly
'Cause it was on a hidden bit that nobody else could see"
Kate Nash        

sexta-feira, janeiro 28, 2011

5

"eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer na manhã de um novo amor" 

De que são feitos os nossos olhares? 

Das dúvidas que carrego no meu peito, dos sonhos que alimentam minhas buscas,das vontades desenfreadas de cuidar do que amo, sou um velho baú de felicidade e gratidão. Mas ainda assim do que são feitos os nossos olhos?

quarta-feira, janeiro 19, 2011

antes do ínicio

Lumiar,01 de Janeiro de 2011
Havia uma leve clareza do que me faltava.
Será que faltava um pouco mais de mim ou um pouco mais de alma?

Puro clichê e toda a relevância da natureza querendo entrar no meu peito, mas as vezes parece que o que falta é o espaço dentro dessa mística que me entorpece.
Distrinchamos, ou melhor, encontramos com as portas minhas que estão fechadas. Óbvio que decidimos que seria o momento da chave na fechadura.
A minha ignorância me mantém perto de todo o amor que eu preciso e meu corpo está numa temperatura desordenada.Sou feita de luzes que não se autoexplicam e não chegam a um denominador comum. Hoje, tento permanecer em silêncio. Tento não olhar no seus olhos. Sou uma ventania angustiada que necessita cessar. "Seria o acaso e não sorte" Eu não paro.Cuspo. Mas sinto ainda todo o meu peso e já é ano novo. Eu escondo sorrissos. Saudades de ir para casa.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

velhas grades

eu já havia desejado os teus olhos,
mesmo em meio tanta preocupação e uma leve ardência no estômago.

Daqueles dias de náuseas
Daqueles dias que anseio cheiro de calma,
me sentia incoformadamente num desses filmes holywoodianos.
Assistir, simplesmente assistir, causava mais que dormência, mais que tristeza,
atestatava minhas mediocridades mas ainda assim deixava claro para onde eu deveria seguir.
Eu abri os meus olhos pela manhã e comunguei com o Universo como quem não quer repetir os mesmos erros. Eu sentia sede.

eu egoístamente sentia sentia sede de sonhos
eu erradamente queria fazer música dos teus olhos
eu tolamente queria promover mudanças com as tuas cores
queria sentir o cheiro, fazer poesia.

Só que hoje não fez sol,
Hoje não é um dia de sol, mesmo que eu pense em permitir que as borboletas invadam o meu estomâgo.

Tuas grades me fizeram querer ir além de mim.
e das minhas fatias que pensam em  mudança, te vejo
dos meus velhos quereres, quero saber dos seus sonhos,
e das suas sombras, quero amar os defeitos,
das minhas lágrimas quero querer pensar em estar contigo, mesmo que esse pensamento seja breve
com as minhas mudanças quero escrever palavras tuas
E das dores e alegrias que posso colher, não consigo me arriscar.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

rastro

Mas eu preciso de um nova forma, eu preciso esquecer as dores das ruas e rabiscar todo o meu texto, eu preciso espisinhar minhas verdades confortáveis e desmascarar esse sorriso forte. Eu preciso viver.

Se Puder Sem Medo

Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava

Oswaldo Montenegro       

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Que cores são essas?

Que cores são essas?  Já que estamos infinitamente sem recursos para redescobrir o nosso céu.
Sem negar qualquer aspiração ao milagre, sem desacreditar um minuto " na pureza das crianças", sem deixar que sequem minhas lágrimas diante das explosões dos planetas madrugada  adentro. Impossível, óbvio que é impossível, já que um dia eu me encontrei diante daquele céu. (Sentei, olhei para o alto, fiquei em em silêncio numa madrugada dessas e ao olhar pro alto, vi que não havia película alguma entre nós. Eu feito criança, sorria com meus olhos, e via sem ajuda dos binóculos, mais de um milhão de estrelas, não senti medo nem do escuro e entendi porque ali seria, de fato, o quintal do mundo.) Não há como perder as esperanças. Mas me pergunto: Que cores são essas?

quarta-feira, dezembro 15, 2010

"Do que é o espiríto para as antenas"

Velhos dias: 5 vezes sem juros. Surpresas. Alecrim. Picanha ao forno? Escrever. Compartilhar. Você vem para minha casa hoje? Sonhos e muita realidade.To chegando já. Visto? Novidades. Uva Gamay. Medo. Incenso. Vômito. Você vem para cá hoje? Limpar a casa. Vomitar o piercing do nariz. Felicidade.Discussão. Pau Santo.Mudança e a casa vazia. Abre a porta. Ócio e dúvidas. Você está na porta ou é uma metáfora? Visto. " São 10 da manhã de um domingo esquisito" Abuse use C&A; Inglês para canadense ver. Odeio by. Choro, gargalhada e alecrim.Vai lá pra casa hoje? Os japonês e as dores que causam. Brilho,brilho,brilho e brilho. Moto. Sono. Estrada. Na Laura Alvim?Clear. Os carecas!Admiração.Leituras e eu tenho algum problema? A blusa nova do Fiuk e a feijoada?Herança.Pizza. Vinho e vinho e vinho. " a chuva lava alma tenha calma vai acontecer" Sobe a serra e desce a serra.
-dividir-
dá-lhe sms, dá -lhe força, -dormir- acordar-molho- e não me encosta! Reduc. Muitos telefonemas no engarrafamento.  Medo. Aprendizado noite a dentro. Caxias e Ilha das Flores? mais discussão. Cerveja as vezes. As vezes bêbados e muitas risadas. Violão. Quem eu sou? Quem eu sou? Filmes. Um Culto no lar? Fotos e seus fatos. Tchau Tchau.

na barra da saia

não fico mais as avessas por conta da sua inconstância;
não conjugo verbos na 3ª do plural porque as vezes você age como quem não me conhece.
despreza minha índole, caráter, inclinações e dúvida das minhas verdades escancaradas.

logo, me agrido pensando em toda a nossa cumplicidade que hoje revelou-se: parte de uma maquiagem para a solidão.

Devo confessar que anseio de peito inquieto para que eu esteja errada.

chegarão novamente os nossos dias?

quarta-feira, dezembro 08, 2010

azia,

Tente usar as plavaras certas. Sempre fui péssima em química, mas aprendi que dissociações são processos complexos e lentos. Tenho dificuldade de esconderijos. Meu incômodo é uma estampa alaranjada. Algo muito distante do imperceptível. Sinto dores no estômago, tenho olheiras e faço caminhos chorando.
Dias comuns.
Tenho rezado para que a noite chegue e que chegue logo o dia. Ando de braços dados aos meus desagrados e aos meus defeitos suprassomáticos que desfilam calçados de alfinetes dentro do meu cérebro. Dá-lhe química! Processo de corrosão. Tenho medo dos meus defeitos, tenho medo da ausência de mudanças, sinto dores destes dias que eu mesma me assombro. Eu não sei cuidar da minha vida.

antes da neve

Dê notícias da Bahia
Dê notícias de toda esta Terra que enche teus olhos
Me fale das explosões dos Terreiros
Me fale da verdade do Chão
Me diga do Deus que divaga nesse mar quente, meio trovão e meio sereno,
mas não nos deixe sem notícias da tua baía
não nos deixe sem água por esses dias, dias de tanto sol e dias que sentem falta de notícias suas
me fale de tudo que é Vespertino,
desses cheiros e sensações que por hoje te embriagam
Me dê notícias da Bahia,
"a morena girando a renda é prenda pro seu orixá"
me diga do Amém que te circunda e dos vestígios sobre o Canadá.

azia,

sexta-feira, dezembro 03, 2010

reza quem é de rezar

Era uma vontade sórdida. Faziam dias que eu não sentia cheiro.

De uma esquina qualquer aniquilei umas poucas sobras que me seguiam. Encontrava com períspiritos contrariados e contorcidos. E sempre quando eu acordava sentia um tremor no estômago. Mesclava realidade, outro plano e meu inconsciente. Não podia negar as vontades que exalavam das extremidades. Era  inegável como o teu cheiro aprisionado na minha nuca.
Aprendi a contar histórias não minhas a partir dessa síntese paranóica que nós transformamos. E destas vidas que tenho relatado não são autoretratos. Sem vestígio biográfico.São co-relatos. Histórias de chão, de corpos suados e terrenos alheios.
Aprendi ouvindo a confundir o tal leitor. Aprendi ouvindo, de certa forma, a fazer confusão no leitor.
Aprendi que minha palavra não deve ser minha.
Aprendi que meu texto deve ser sangue e lápide. Que minha correria deve ser furacão e euforia do que acho que vejo. Minha palavra ordenada se dá do único dom que carrego, sentir o sentimento que não nasceu em mim/ o que é ferida ou alegria no mundo, o que é glória e muito mais esperança.
Então venha aqui, tire essa roupa suja, limpe essa lama e não me suje mais.
Se havia amor? Guarde suas dúvida e interpretações.
Sou pessoa distinta, sem qualquer confusão geminiana, a minha lua é clara, sei dos meus caminhos, dores e todo o meu prazer. Tenho os meus desgostos, sei dos meus fracassos, da indisciplina e do meu descaso. E não importa o que eu diga está tudo estampado na imperfeição do meu corpo.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Lei seca,

na sutileza de cada gesto, por vezes, deve de haver,no mínimo, uma sugestão do ato de, ou de questionamento de. E nessa leve sutileza que ignoramos, ou sei lá, nos enraivecemos com o que  a distração sobre o ato nos acarretou, deveria mesmo surgir reflexões e agradecimentos. Muito obrigada, mas prefiro me agarrar ao resto que você se faz.